Blog

Background Check Discriminatório: Como a Exposição nos Buscadores Impede Novas Ocupações Profissionais

A seleção de talentos no ambiente corporativo atual sofreu mudanças drásticas. A outrora clássica entrevista de emprego complementada por testes técnicos agora caminha ao lado do silente e disseminado Background Check (verificação de antecedentes em bases de dados abertas da internet).

Antes de contratar qualquer colaborador, gerentes de recrutamento, softwares automáticos e consultorias de RH efetuam varreduras unificadas no Google, Jusbrasil e Diários Judiciais pelo nome e CPF dos candidatos finais.

O diagnóstico mostra que, em mais de 74% das vezes, a identificação de qualquer processo judicial – mesmo de natureza comum, como disputas trabalhistas cíveis, problemas familiares, pensões de alimentos ou ações fiscais que o candidato apenas figurou como administrador de uma empresa antiga – gera o descarte automático e informal do profissional.

1. O TST e a Ilegalidade das Pesquisas Arbitrárias de Antecedentes

A jurisprudência da Justiça do Trabalho de nosso país (notadamente amparada em teses unificadas sob Recursos Repetitivos do Tribunal Superior do Trabalho - TST) é extremamente severa quanto à exigência generalizada de certidão de antecedentes criminais ou pesquisas cíveis de candidatos em circunstâncias normais de trabalho.

Portanto:

  • Veda-se a Exigência não Justificada: Salvo para cargos que exijam máxima faturamento público, manuseio de valores ou uso de armamento (comerciais, segurança privada, gerências de tesourarias), exigir atestado negativo de antecedentes ou julgar processos cíveis e comerciais é considerado danos morais passível de pesadas indenizações civis trabalhistas.
  • O Descarte Informal Invisível: O grande contrassenso de tal medida legal é a sua ineficácia fática diária. O RH jamais revelará formalmente que descartou o candidato devido a um processo achado no Jusbrasil; a desculpa será meramente "reajuste de perfil". Daí deriva a importância inconteste de atuar de forma ativa na exclusão das fontes de pesquisa antes de enviar o seu primeiro currículo de volta ao mercado corporativo.
  • 2. Processos Trabalhistas em Nome do Profissional: O Fim do "Lista Negra"

    Uma das piores exposições que barram ótimos executivos é a de processos trabalhistas contra empregadores anteriores. Embora lutar por direitos de trabalho seja um amparo constitucional indiscutível, corporações tendem a esquivar-se de contratar profissionais que rotulam genericamente de "litigiosos".

    Indexar esse tipo de processo na internet aberta de maneira que o nome do reclamante figure lado a lado com termos de conflito no Google é uma infração explícita das diretrizes de segurança da informação pessoal trabalhista e viola a dignidade humana.

    Esse rastro digital é passível de desassociação célere e ocultação imediata através das competentes teses administrativas, desobrigando o profissional de justificar seus direitos no início de uma aliança profissional.

    3. Proteger a Ficha Cadastral Digital: Como Auditar seu Próprio Nome

    Para se certificar de que seu background check estará 100% livre de ruídos prejudiciais, adote o seguinte roteiro forense pessoal:

    1. Auditoria sob Modo Invisível: Digite no Google o seu nome completo entre aspas simples (ex: *"José da Silva Silva"*). Faça o mesmo acrescendo seu número parcial de CPF e as palavras "processo" ou "justiça".

    2. Mapeie as Menções do Jusbrasil e Escavador: Registre cada página de perfil que compile as movimentações no tribunal que envolva você, seu CNPJ ou o CNPJ de quem administrou anteriormente.

    3. Remova os Vínculos Através de Assessoria Dedicada: Antes de iniciar o disparo de currículos essenciais ao crescimento profissional, execute a eliminação das pontas públicas. O silêncio administrativo é o escudo ideal de sua honra e de seus sonhos produtivos.